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Sogester S.A.
Sumário Executivo
A Sogester — Sociedade Gestora de Terminais, S.A. — opera o terminal de contentores da Boavista, no Porto de Luanda, a principal porta de entrada das importações contentorizadas de Angola. Começou a operar em 2007 como uma parceria em que a APM Terminals, do grupo Maersk, detinha 51% e a empresa angolana Gestão de Fundos (GEFI) os restantes 49%. O terminal de Luanda movimenta cerca de 350 mil TEU por ano.
Em quase duas décadas, a empresa passou de um único terminal a uma rede: o terminal polivalente do Porto do Namibe (desde 2014), dois portos secos perto de Luanda, em Panguila e em Viana, e — desde abril de 2026 — os terminais de passageiros e carga de Cabinda e do Soyo. No final de 2022, a APM Terminals vendeu a sua participação maioritária; o comprador não foi tornado público.
A Sogester tem investido de forma contínua em gruas, sistemas digitais e automatização da portaria, mas a sua história inclui também uma repartição de receitas contestada no Namibe, a que a autoridade portuária tentou pôr fim em 2018. Em Luanda, concorre hoje com a DP World, que assumiu o terminal polivalente do porto em 2021.
Factos Principais
- Em operação desde 2007; a APM Terminals (51%) vendeu a sua participação no final de 2022 a um comprador não divulgado.
- Luanda (Boavista): cerca de 11 mil TEU de capacidade de parqueamento, 480 tomadas para contentores frigoríficos, 8 gruas móveis e cerca de 350 mil TEU movimentados por ano.
- Concessão por 20 anos dos terminais de Cabinda e do Soyo assinada a 27 de abril de 2026.
- Cais do Namibe em extensão de 288 m, com calado de 14 m, prevista para entrar em operação em 2026.
Accionistas & Concessões
De parceria com a Maersk a accionistas desconhecidos, e uma rede de concessões que continua a crescer
Origens
A Sogester nasceu de uma parceria entre a APM Terminals, o braço portuário do grupo dinamarquês Maersk, com 51%, e a Gestão de Fundos (GEFI), empresa angolana, com 49%. O portal de investigação Maka Angola descreve a GEFI como o braço comercial do MPLA e situa a origem da parceria em 2005. A sociedade opera o terminal de contentores de Luanda desde 2007.
A Saída da APM Terminals
No final de 2022, a APM Terminals retirou-se discretamente das operações da Sogester em Luanda e no Namibe, vendendo a sua participação de 51%. A identidade do comprador não foi divulgada e a actual estrutura accionista não foi publicada. Algumas notícias internacionais de 2026 ainda descrevem a empresa como participada pela APM Terminals, o que mostra o pouco que se tornou público sobre a venda.
Concessões
Em 2014, a Sogester obteve um contrato de 20 anos com direitos comerciais exclusivos sobre o terminal de contentores e carga geral do Porto do Namibe. A sua presença voltou a alargar-se a 27 de abril de 2026, quando o Governo lhe atribuiu, por 20 anos, a concessão dos terminais de passageiros e carga do porto marítimo de Cabinda e do porto fluvial do Soyo, na província do Zaire. O terminal marítimo de Cabinda abriu em 2021 e o do Soyo em 2022, reduzindo algumas viagens de cerca de 24 horas para duas.
Fontes: Ecofin Agency, 1 mai. 2026; Executive Digest, 27 abr. 2026
Rede de Terminais
Um grande terminal de contentores em Luanda, um porto ligado ao caminho-de-ferro no sul e dois portos secos no interior
Luanda – Boavista
O terminal principal tem cerca de 11 mil TEU de capacidade de parqueamento, dois cais de 400 m e 210 m com 11,5 a 12,5 m de profundidade, e 480 tomadas para contentores frigoríficos, mais cerca de 200 ligações alternativas. Está equipado com oito gruas móveis de cais. Entre as aquisições recentes contam-se um scanner de raios X, novos empilhadores reach stacker, spreaders e tractores de terminal. O terminal movimenta cerca de 350 mil TEU por ano.
Namibe
No sul, o terminal polivalente do Namibe ocupa cerca de 12 hectares, com 10 m de calado, mais de 100 tomadas para frigoríficos, duas gruas móveis Liebherr e uma linha férrea que chega ao próprio cais. Essa ligação liga o porto ao Caminho de Ferro de Moçâmedes e ao interior do sul do país. O cais está a ser prolongado em 288 m, com calado de 14 m, e a conclusão está prevista para 2026. O terminal movimenta cerca de 35 mil TEU por ano.
Fontes: Apresentação da Sogester, TOC Barcelona 2025; APM Terminals, 5 fev. 2020
Portos Secos
Dois terminais interiores aliviam a pressão sobre a zona portuária congestionada. Panguila, a norte de Luanda, ocupa 37 hectares divididos entre zona aduaneira e não aduaneira e dispõe de 384 tomadas para frigoríficos. A Sogester apresenta-o como bem situado para clientes que negoceiam com a RD Congo e a Zâmbia. Viana, na zona industrial de Luanda, tem báscula, scanner e uma zona de inspecção física da Administração Geral Tributária (AGT).
Fontes: Apresentação da Sogester, TOC Trieste 2024; TOC Barcelona 2025
Equipamento & Tecnologia
Gruas maiores, um novo sistema operativo de terminal e portaria automatizada
Gruas
A Sogester investiu cerca de 25 milhões de dólares em 2019 e um valor semelhante em 2021 em equipamento de movimentação, informática e instalações. A peça central foram três gruas móveis Liebherr da série 800, as duas últimas entregues em dezembro de 2021, capazes de alcançar 23 filas de contentores, contra 15 a 16 filas do equipamento concorrente. Isso permite ao terminal operar navios maiores. O pacote de 2021 trouxe ainda spreaders de elevação dupla, tractores e reboques.
Fontes: APM Terminals, 15 fev. 2022; APM Terminals, 5 fev. 2020
Sistemas Digitais
Em 2020, apesar das restrições da pandemia, a Sogester começou a implementar o sistema operativo de terminal Solvo.TOS (versão 7.1), primeiro no Namibe e depois em Luanda. Os seus módulos cobrem o planeamento de navios, as operações ferroviárias, a gestão do parque e as inspecções, e estão ligados a um sistema de monitorização de contentores frigoríficos. Na portaria, um sistema Camco OCR lê camiões e contentores automaticamente.
A Sogester aderiu também à TradeLens, a plataforma de dados de transporte marítimo criada pela Maersk e pela IBM, e planeou a facturação online integrada com a alfândega. A TradeLens foi entretanto encerrada pelos seus fundadores, pelo que essa parte da estratégia digital ficou para trás.
Fonte: APM Terminals, 5 fev. 2020
Segurança
A empresa não regista acidentes mortais desde o início das operações, em 2007. Em 2024, contabilizou um acidente com baixa nos seus quatro locais (em Luanda) e nenhum incidente de alto potencial, com mais de 260 profissionais de segurança na Boavista, no Namibe, em Panguila e em Viana.
Polémica & Concorrência
Uma repartição de receitas contestada no Namibe e um novo concorrente em Luanda
O Contrato do Namibe
Pelo acordo de 2014 no Namibe, a Sogester ficava com 90% da receita facturada e a autoridade portuária com 10%. Em 2017, a Sogester facturou 2,133 mil milhões de kwanzas e reteve cerca de 1,92 mil milhões. O presidente do conselho de administração do porto afirmou que tinha sido «uma luta enorme» pagar aos trabalhadores e manter o porto com 10%, e o sindicato dos estivadores pediu o fim do contrato. Em 2018, a autoridade portuária procurou rescindir o contrato e pediu ao Presidente João Lourenço que o revisse.
Fonte: Maka Angola, set. 2018
Concorrência em Luanda
Em janeiro de 2021, a DP World, sediada no Dubai, assinou uma concessão de 20 anos para o Terminal Polivalente do Porto de Luanda e começou a operá-lo em março de 2021. Um dos maiores operadores portuários do mundo passou assim a disputar, no mesmo porto, linhas de navegação e carga com a Sogester.
Fontes: DP World, jan. 2021; DP World, mar. 2021
Nota da Redacção
Alguns pontos do esboço original não puderam ser confirmados em fontes públicas e ficaram de fora: que a Sogester seja hoje 100% angolana, uma renovação da concessão de Luanda com prorrogação opcional de dez anos a partir de outubro de 2027, o tempo de rotação de camiões de 41 minutos, ser o «primeiro operador angolano com certificação ISPS permanente», os prémios «Melhor Operador Portuário 2024» e do Global Ports Forum 2025, greves em 2018 por igualdade salarial com Luanda, a dimensão e o número de tomadas do porto seco de Viana, e os planos de descarbonização e ligados à ZCLCA.
A descrição da Gestão de Fundos como «gestora de fundos de pensões» foi também substituída: a fonte pública encontrada descreve-a como o braço comercial do MPLA. O site da própria Sogester publica uma notícia sobre um novo contrato, mas não foi possível lê-la para este perfil.
