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Angola Geração de eletricidade por fonte

O Potencial Hidroeléctrico de Angola

Angola em Números · Energia

O Potencial Hidroeléctrico de Angola

Em menos de dez anos, a água passou a produzir mais electricidade em Angola do que o petróleo e o gás juntos. A história começa no planalto central.

O que o gráfico mostra

Este gráfico mostra a electricidade produzida em Angola por fonte, entre 2000 e 2024, medida em terawatt-hora. Em 2000, a produção total era pequena, dividida sobretudo entre petróleo e uma fatia crescente de hidroeletricidade (a azul). A partir de cerca de 2015, a área azul começa a crescer de forma muito acentuada, e por volta de 2020 já domina claramente o gráfico — a hidroeletricidade ultrapassou o petróleo e o gás como principal fonte de electricidade do país. Esse salto não é coincidência: coincide com a entrada em funcionamento de uma das maiores barragens de África.

Um país com um dos maiores potenciais hídricos de África

18.000 MW

é o potencial hidroeléctrico total estimado para Angola — e ainda só uma fracção está a ser aproveitada.

Angola tem uma combinação rara de factores geográficos que a tornam especialmente adequada à energia hídrica: chove bastante no planalto central, e esse planalto desce depois de forma acentuada até ao litoral, criando desníveis fortes ao longo dos principais rios — exactamente o que é preciso para gerar electricidade a partir da água em movimento.

O rio Kwanza: a espinha dorsal da energia angolana

O rio Kwanza (ou Cuanza), o mais longo de Angola com quase 960 km, concentra sozinho um potencial estimado de cerca de 7.000 megawatts, e é onde estão as maiores barragens do país:

CambambeA primeira grande barragem do país
1963
960 MW
CapandaConcluída após ser interrompida pela guerra civil
2004
520 MW
LaúcaA maior barragem do país; provocou o salto no gráfico
2017
2.070 MW
Caculo CabaçaEm construção; será a maior do país quando concluída
2026 (previsto)
2.172 MW

Para além do Kwanza

Rio Cunene

No sul, junto à fronteira com a Namíbia, tem também potencial por explorar. Angola e a Namíbia planeiam construir em conjunto a barragem de Baynes, com uma capacidade prevista entre 500 e 600 MW.

Rios Keve e Catumbela

Têm projectos hidroeléctricos mais pequenos, ligados sobretudo ao abastecimento do centro e sul do país, complementando a produção concentrada no Kwanza.

Porque isto importa

Depender cada vez mais de água em vez de petróleo e gás para gerar electricidade tem várias vantagens: reduz emissões, liberta petróleo e gás para exportação em vez de consumo interno, e aproveita um recurso que Angola tem em abundância.

Mas também traz desafios — a produção hídrica varia com as chuvas, e ainda falta ligar bem as três grandes redes eléctricas do país (Norte, Centro e Sul), para que a energia produzida no Kwanza consiga chegar de forma eficiente a todo o território, incluindo às zonas mais remotas que já vimos serem também as mais escassas em infra-estrutura noutras páginas desta série.

Perguntas frequentes

Porque é que Angola tem tanto potencial hidroeléctrico?

Por causa da geografia: chove bastante no planalto central, e o terreno desce de forma acentuada até ao litoral. Essa combinação de água abundante e desníveis acentuados é exactamente o que é preciso para gerar electricidade a partir de barragens.

Qual é a maior barragem de Angola?

Actualmente, a Laúca, com 2.070 MW. Mas a Caculo Cabaça, ainda em construção no mesmo rio Kwanza, deverá ultrapassá-la assim que ficar concluída, com 2.172 MW.

Angola já aproveita todo o seu potencial hidroeléctrico?

Não. Mesmo depois dos grandes investimentos da última década, o país ainda só utiliza uma fracção dos cerca de 18.000 MW de potencial estimado a nível nacional.

Quais são os principais desafios da energia hídrica em Angola?

A produção varia com as chuvas ao longo do ano, e ainda é preciso ligar melhor as redes eléctricas do Norte, Centro e Sul do país, para que a electricidade produzida no rio Kwanza chegue de forma eficiente a todas as regiões, incluindo as mais remotas.

Última actualização: 7 de Setembro de 2026 · Fontes: Our World in Data; MIGA/Banco Mundial; Angola Energia 2025; ANDRITZ Hydro.