Bandeira de Angola

Bandeira de Angola: História e Significado
Descrição da Bandeira
A bandeira de Angola apresenta duas faixas horizontais de igual largura: a superior em vermelho-rubro e a inferior em preto. No centro encontra-se um emblema amarelo-dourado composto por uma secção de uma roda dentada (meia engrenagem), cruzada por uma catana (machete) e coroada por uma estrela de cinco pontas.
A bandeira foi adotada a 11 de novembro de 1975, no dia da proclamação da Independência de Angola. As proporções oficiais são de 2:3 (altura:largura).
DESCRIÇÃO E SIGNIFICADO
A Bandeira Nacional é um símbolo da soberania da República de Angola e foi adoptada em 1975, por altura da proclamação da Independência Nacional. Dividida ao meio no sentido horizontal, tem duas cores dispostas em duas faixas, tomando a superior o tom vermelho Angola e a inferior o preto Angola, uma composição constituída por uma secção de uma roda dentada com nove dentes, uma catana que se sobrepõe inclinada, com punho situado à direita e a lâmina curvada voltada à esquerda, e uma estrela de cinco pontas.
O vermelho Angola representa o sangue derramado pelos Angolanos durante a opressão colonial, a luta de libertação nacional e a defesa da Pátria.
O preto Angola representa o continente Africano.
O amarelo Angola representa a riqueza do País.
A roda dentada simboliza os trabalhadores e a produção industrial.
A catana representa os camponeses, a produção agrícola e a luta armada.
A estrela é o símbolo da solidariedade internacional e do progresso.
As regras gerais para o uso da Bandeira Nacional encontram-se estabelecidas pela lei n.º 14/18, de 29 de Outubro.
Origem: A Bandeira do MPLA
A bandeira deriva diretamente do estandarte do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola), que já usava as cores vermelho e preto com uma estrela amarela desde 1964, durante a luta armada contra o domínio colonial português. Em 1975, essa estrela isolada foi substituída pelo emblema completo — roda dentada, catana e estrela — dando origem ao desenho que se mantém, praticamente inalterado, até hoje.
Vale notar, por rigor histórico, que o desenho do emblema (ferramentas cruzadas, coroadas por uma estrela) foi conscientemente inspirado na foice e no martelo da bandeira soviética, refletindo a orientação marxista-leninista do MPLA à época da independência. Com o progressivo afastamento do partido dessa ideologia, a partir de 1990–1992, a interpretação oficial dos símbolos foi sendo suavizada: os termos constitucionais "classe operária" e "classe camponesa" foram, por exemplo, substituídos por "trabalhadores" e "camponeses".
Quem Desenhou a Bandeira
A autoria da bandeira é geralmente atribuída a Henrique Onambwé. A primeira versão foi confecionada à mão por Joaquina Muteka, Ruth Lara e Cici Cabral, no próprio dia 11 de novembro de 1975 — a tempo da cerimónia de proclamação da independência.
Outros Símbolos Nacionais Relacionados
Brasão de armas (Insígnia da República)
DESCRIÇÃO E SIGNIFICADO
A Insígnia Nacional foi vista e aprovada pela Assembleia Constituinte, aos 21 de Janeiro de 2010 e, na sequência do Acórdão do Tribunal Constitucional n.º 111/2010 de 30 de Janeiro, aos 3 de Fevereiro de 2010.
A Insígnia Nacional é um dos símbolos da República de Angola e é formada por duas metades de um círculo, uma representando uma roda dentada dourada e outra as plantas do milho, do café e do algodão. O conjunto é rematado na base por um livro aberto, com páginas em branco. Atrás dele desponta um sol nascente, amarelo, sob um céu azul. Ao centro e sobrepondo-se aos raios do sol estão uma catana e uma enxada, que se cruzam. A encimar este conjunto figura uma estrela com cinco pontas, em amarelo Angola. Na base da insígnia está uma fita amarelo claro, ondulada, com a inscrição "República de ANGOLA".
A roda dentada simboliza os trabalhadores e a produção industrial.
O milho, o café e o algodão representam os camponeses e a produção agrícola.
O livro aberto é símbolo da educação e da cultura.
O sol nascente significa o novo País.
A catana e a enxada simbolizam o trabalho e o início da luta armada.
A estrela é o símbolo da solidariedade internacional e do progresso.

Hino nacional
"Angola Avante" foi igualmente adotado em 1975, com letra do escritor Manuel Rui Monteiro e música de Rui Vieira Dias Mingas.
O Contexto da Independência
A bandeira não pode ser dissociada do processo político que a gerou:
- A independência de Angola resultou do Acordo de Alvor, assinado a 15 de janeiro de 1975 entre o governo português e os três movimentos de libertação — MPLA, FNLA e UNITA — pondo fim a treze anos de Guerra de Independência de Angola (1961–1974) e estabelecendo um governo de transição conjunto.
- A data de 11 de novembro de 1975 foi solenemente escolhida para a proclamação da independência. Contudo, nesse mesmo dia, o MPLA proclamou a independência em Luanda, enquanto a FNLA e a UNITA proclamaram um governo rival em Huambo — um desacordo que rapidamente escalou para a longa Guerra Civil Angolana (1975–2002).
- A bandeira do MPLA, com pequenas adaptações, tornou-se assim a bandeira do novo Estado angolano, apesar de o país ter nascido dividido entre movimentos políticos rivais.
Curiosidade: A Bandeira Gigante de Luanda
Em Luanda existe um monumento com uma bandeira verdadeiramente monumental: 18 metros por 12 metros, pesando 40 quilogramas, hasteada num mastro de 75 metros de altura — um número que não é acaso, mas sim uma referência direta ao ano da independência, 1975. O mastro e a bandeira estão preparados para resistir a ventos de até 200 km/h.
Esta bandeira gigante não é hasteada todos os dias: sobe ao mastro apenas em 12 datas simbólicas por ano, entre as quais:
- 4 de janeiro – Dia dos Mártires da Repressão Colonial da Baixa de Cassange
- 4 de fevereiro – Data de início da Luta Armada de Libertação Nacional
- 11 de novembro – Dia da Independência Nacional
Uma Bandeira Que Resistiu ao Tempo
Apesar de décadas de instabilidade política, de uma longa guerra civil e de sucessivas reformas constitucionais (nomeadamente em 1992 e 2010), a bandeira de Angola manteve-se praticamente inalterada desde 1975 — um dos poucos símbolos de continuidade num país que atravessou transformações profundas desde a independência.