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Angola - acesso da população à electricidade

O Acesso à Electricidade em Angola

Angola em Números · Energia

O Acesso à Electricidade em Angola

Angola já produz mais electricidade a partir de água do que de petróleo. Mesmo assim, quase metade da população continua sem acesso a ela.

O que o gráfico mostra

Este gráfico compara a percentagem da população com acesso a electricidade em quatro países, desde 1990. Portugal e o Brasil estão praticamente coladas ao topo do gráfico, perto dos 100%, desde o início da série — nestes países, ter electricidade em casa deixou de ser sequer uma questão há décadas. A África do Sul começa mais abaixo, por volta de 85% já nos anos 90, e sobe de forma gradual até perto dos 85-90% actuais. Angola é claramente a linha destacada pela sua posição: começa por volta de 20% em 2000, sobe com alguns solavancos — incluindo uma queda visível por volta de 2014 — e chega a cerca de 54% em 2024.

Uma boa notícia com uma leitura incómoda

Angola
54%
África do Sul
~88%
Brasil
~100%
Portugal
~100%

Angola mais do que duplicou o acesso à electricidade em cerca de 25 anos, o que é um progresso real. Mas olhando para o mesmo gráfico de outro ângulo: em 2024, ainda quase metade da população angolana não tem acesso a electricidade — o mesmo nível que a África do Sul já tinha alcançado nos anos 90. Angola está, grosso modo, cerca de 30 anos atrás da África do Sul nesta métrica, e ainda mais longe de países como Portugal ou o Brasil, onde este problema está praticamente resolvido desde há muito.

O contraste que não devia existir: água a mais, electricidade a menos

Aqui está o ponto mais estranho — e mais importante — desta página, e liga-se directamente ao potencial hidroeléctrico de Angola: o país tem um dos maiores potenciais de energia hídrica de África, e já produz mais electricidade a partir de água do que de petróleo e gás. E, no entanto, mais de 45% da sua população ainda vive sem acesso a essa mesma electricidade. Isto não é um problema de falta de energia — é um problema de como a energia produzida chega, ou não chega, às pessoas.

Porque é que produzir mais electricidade não chegou a todos

A rede não acompanhou a produção

Construir uma barragem gigante como a Laúca é uma coisa; construir e manter milhares de quilómetros de linhas eléctricas até casas espalhadas por todo o país é outra, muito mais cara e lenta. As três grandes redes do país (Norte, Centro e Sul) ainda não estão totalmente ligadas entre si.

A população está muito dispersa

Províncias como o Moxico ou o Cuando têm muito poucos habitantes por quilómetro quadrado. Levar uma linha eléctrica a uma aldeia isolada custa o mesmo por quilómetro, quer sirva mil pessoas ou apenas cinquenta.

Décadas de guerra atrasaram o investimento

Grande parte da infra-estrutura eléctrica do país foi destruída ou nunca chegou a ser construída durante o conflito armado, e a reconstrução, embora avançada, ainda não cobriu todo o território.

O "último quilómetro" é o mais caro

Ligar uma casa à rede já existente, sobretudo em zonas urbanas informais ou rurais remotas, exige investimento que nem sempre acompanha o ritmo de crescimento das cidades e da população.

Em contexto

O caminho que a África do Sul percorreu — de cerca de 85% de acesso nos anos 90 para os níveis actuais — mostra que é possível continuar a subir de forma consistente. Mas também mostra que a última parte do caminho costuma ser a mais lenta: quanto mais perto dos 100%, mais dispersas e mais caras de alcançar são as pessoas que ainda faltam ligar.

Perguntas frequentes

Se Angola produz tanta electricidade, porque é que tanta gente não tem acesso a ela?

Porque produzir electricidade e distribuí-la são dois problemas diferentes. Angola tem uma boa capacidade de produção graças às barragens do rio Kwanza, mas a rede de distribuição — as linhas eléctricas que levam essa energia até casa das pessoas — ainda não cobre todo o território, sobretudo nas zonas rurais mais dispersas.

Quanto tempo poderá demorar Angola a chegar a 100% de acesso?

Não há uma resposta exacta, mas a experiência de outros países mostra que a última parte costuma ser a mais lenta, porque as pessoas que ainda faltam ligar tendem a estar em zonas mais remotas e mais caras de alcançar por quilómetro de linha eléctrica.

O que significa "acesso à electricidade" neste gráfico?

Significa ter uma fonte de electricidade capaz de fornecer iluminação básica e carregar um telemóvel ou alimentar um rádio durante 4 horas por dia — uma definição mínima, não um fornecimento contínuo e sem falhas.

A queda visível na linha de Angola por volta de 2014 significa que o país perdeu acesso à electricidade?

É possível que reflicta instabilidade temporária nos dados ou na rede nesse período, mas o mais importante é a tendência geral: apesar dessa oscilação, a linha voltou a subir logo a seguir e continuou a crescer até 2024.

Última actualização: 7 de Setembro de 2026 · Fonte: Our World in Data, com base em dados do Banco Mundial e da Agência Internacional de Energia.